{"id":20974,"date":"2026-07-03T15:16:59","date_gmt":"2026-07-03T15:16:59","guid":{"rendered":"https:\/\/razacomica.cl\/sitio\/?p=20974"},"modified":"2026-07-03T15:17:00","modified_gmt":"2026-07-03T15:17:00","slug":"entrevista-a-evandro-cruz-silva-nuestra-contribucion-al-arte-es-romper-la-expectativa-de-que-es-ser-un-escritor-negro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/razacomica.cl\/sitio\/2026\/07\/03\/entrevista-a-evandro-cruz-silva-nuestra-contribucion-al-arte-es-romper-la-expectativa-de-que-es-ser-un-escritor-negro\/","title":{"rendered":"Entrevista a Evandro Cruz Silva: \u201cNuestra contribuci\u00f3n al arte es romper la expectativa de qu\u00e9 es ser un escritor negro\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>Damos continuidade \u00e0 nossa s\u00e9rie sobre a literatura brasileira contempor\u00e2nea e sua interse\u00e7\u00e3o com a Am\u00e9rica Latina \u2014 uma iniciativa desenvolvida pela Dra. em literatura Ellen Mar\u00eda Vasconcellos e pelo nosso journalista, apenas um rapaz latino-americano, Erick Valenzuela Bello.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Continuamos con nuestra secci\u00f3n de escrituras brasile\u00f1as contempor\u00e1neas y su encuentro con Am\u00e9rica Latina, una propuesta desarrollada por la Dra. en literatura Ellen Vasconcellos y nuestro reportero, apenas un cabro latinoamericano, Erick Valenzuela Bello.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Hoje, 3 de julho, \u00e9 comemorado o Dia Nacional de Combate \u00e0 Discrimina\u00e7\u00e3o Racial no Brasil. Por isso, consideramos importante destacar Evandro Cruz Silva como o autor do m\u00eas; a partir de sua perspectiva sobre a classe m\u00e9dia negra urbana e as pol\u00edticas de cotas, ele explica que a ascens\u00e3o social n\u00e3o imuniza o indiv\u00edduo contra o racismo. Pelo contr\u00e1rio, ela o exp\u00f5e a novas formas de viol\u00eancia institucional.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Hoy 3 de julio en Brasil se conmemora el D\u00eda Nacional de Combate a la Discriminaci\u00f3n Racial. Es por ello que nos parece importante proponer como autor de este mes a Evandro Cruz Silva, quien desde su mirada sobre las clases medias negras urbanas y las pol\u00edticas de cuotas, explica que la ascensi\u00f3n social no inmuniza contra el racismo. Por el contrario, expone al individuo a nuevas formas de violencia institucional.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Em seu romance \u201cO Embranquecimento\u201d, publicado pela Editora Patu\u00e1, ela se debru\u00e7a sobre essas categorias e revela como as feridas raciais fazem parte do cotidiano \u2014 um dos legados coloniais que atravessam o Brasil e toda a regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>En su novela, \u201cO Embranquecimento\u201d edita por \u201cPatu\u00e1\u201d, profundiza estas categor\u00edas y deja entrever c\u00f3mo las heridas raciales son parte del cotidiano y una de las herencias coloniales que atraviesa Brasil y a toda la regi\u00f3n.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Convidamos voc\u00ea a ler esta conversa sobre literatura e formas de racismo, considerando a tradu\u00e7\u00e3o e o di\u00e1logo como caminhos para a descoloniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Les invitamos a leer esta conversaci\u00f3n sobre literatura y racismos, pensando en la traducci\u00f3n y el di\u00e1logo como caminos para la descolonizaci\u00f3n.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>_____<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Evandro Cruz, soci\u00f3logo e escritor brasileiro negro do sudeste do Brasil, relata sua ascens\u00e3o social a partir de uma origem popular e perif\u00e9rica. Sua trajet\u00f3ria acad\u00eamica foi viabilizada por pol\u00edticas de a\u00e7\u00f5es afirmativas para afrodescendentes no ensino superior. Inicialmente, sua rela\u00e7\u00e3o com a literatura era distante; ela surge como v\u00e1lvula de escape do estresse acad\u00eamico, especialmente durante um interc\u00e2mbio no M\u00e9xico em 2020, quando, isolado pela pandemia, passa a ler e escrever intensamente, \u201cAli, por 2019, 2020, me cresceu pouco a vontade de conhecer o M\u00e9xico, porque eu comecei a ler Roberto Bola\u00f1o, como forma de desestressar os meus assuntos acad\u00eamicos. Acho que foi mais ou menos por influ\u00eancia do Bola\u00f1o que eu j\u00e1 entrei no projeto de pesquisa\u00bb, comenta Evandro.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Evandro Cruz, soci\u00f3logo y escritor afrodescendiente del sureste de Brasil, relata su ascenso social desde un entorno de clase trabajadora en la periferia urbana. Su trayectoria acad\u00e9mica fue posible gracias a pol\u00edticas de acci\u00f3n afirmativa dirigidas a afrodescendientes en la educaci\u00f3n superior. Inicialmente, su relaci\u00f3n con la literatura era distante; esta surgi\u00f3 como una v\u00eda de escape para el estr\u00e9s acad\u00e9mico, especialmente durante un programa de estudios en el extranjero en M\u00e9xico en el a\u00f1o 2020, cuando, aislado por la pandemia, comenz\u00f3 a leer y escribir intensamente. \u00abPor aquel entonces, entre 2019 y 2020, creci\u00f3 en m\u00ed el deseo de conocer M\u00e9xico, ya que hab\u00eda empezado a leer a Roberto Bola\u00f1o para aliviar el estr\u00e9s de mi trabajo acad\u00e9mico. Me doy cuenta de que, en gran medida, fue gracias a la influencia de Bola\u00f1o que comenc\u00e9 mi&nbsp; proyecto de investigaci\u00f3n\u00bb, afirma Evandro.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Dessa experi\u00eancia nasce seu primeiro livro de contos, focado na solid\u00e3o, chamado \u201cPraia artificial\u201d, e posteriormente um romance, \u201cO Embranquecimento\u201d, ambos publicados pela Editora Patu\u00e1. No ano de 2025, foi finalista do Pr\u00eamio S\u00e3o Paulo de Literatura na categoria Melhor Romance de Estreia de 2024 com o livro \u201cO Embranquecimento\u201d, al\u00e9m de outros reconhecimentos, \u201cEsse livro &#8211; Praia Artificial &#8211; saiu, eu consegui voltar para o Brasil depois, peguei uma passagem, voltei. E ele foi bem aceito, n\u00e9, pela cr\u00edtica. E isso me proporcionou duas coisas: A primeira foi ganhar no edital de romance que originou o livro \u2018O Embranquecimento&#8217;, que \u00e9 o meu segundo livro. E acho tamb\u00e9m que isso, meio que criou uma onda de popularidade que me permitiu ir ganhando coisas. No ano 2021, eu ganhei o pr\u00eamio da revista Forbes. No meio de 2020, eu ganhei o pr\u00eamio de ensaios da Serrote\u00bb, comenta o escritor.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>De esta experiencia surgi\u00f3 su primera colecci\u00f3n de relatos, \u201cPraia Artificial\u201d y, posteriormente, la novela \u201cO Embranquecimento\u201d; ambas publicadas por la editorial Patu\u00e1. En el a\u00f1o 2025, fue finalista del Premio S\u00e3o Paulo de Literatura en la categor\u00eda de mejor primera novela lanzada el a\u00f1o 2024 \u201cO Embranquecimento\u201d, entre otros reconocimientos. \u201cCuando sali\u00f3 ese libro, \u2013 Praia Artificial \u2013, tuvo una buena acogida por parte de la cr\u00edtica, y eso me abri\u00f3 dos posibilidades: primero, ganar la beca para la novela que dio origen al libro \u00b4O Embranquecimento\u2019, mi segundo libro. Tambi\u00e9n creo que gener\u00f3 una especie de ola de popularidad que me permiti\u00f3 seguir&nbsp; obteniendo reconocimientos. El a\u00f1o 2021, gan\u00e9 un premio de la revista Forbes. A mediados de ese mismo a\u00f1o, obtuve el premio de ensayo \u201cSerrote\u201d, comenta el escritor.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>A chamada \u201cliteratura negra\u201d brasileira contempor\u00e2nea se diferencia de fases anteriores por deslocar o foco da mis\u00e9ria e das necessidades b\u00e1sicas para dramas existenciais e de inadequa\u00e7\u00e3o de classe. Escritores negros atuais, em sua maioria, n\u00e3o escrevem mais sobre fome ou extrema pobreza, mas sim sobre experi\u00eancias de transi\u00e7\u00e3o social, pertencimento, liberdade e identidade. Os personagens frequentemente enfrentam dilemas de continuidade ou ruptura com suas origens familiares, refletindo sobre ancestralidade e distanciamento da realidade vivida por gera\u00e7\u00f5es anteriores, \u201cSe eu pensar, escritores negros contempor\u00e2neos, suas necessidades n\u00e3o s\u00e3o as necessidades do n\u00edvel da fome, n\u00e9 assim. Se pensar em fazer um caminho, n\u00e3o \u00e9 que v\u00e1, na Carolina Maria de Jesus \u2013 autora do livro &#8216;Quarto de despejo&#8217; \u2013, passando pelo Paulo Lins \u2013 autor do romance &#8216;Cidade de Deus&#8217; \u2013 e chegando agora nos escritores do s\u00e9culo 21. Nos nossos escritos contempor\u00e2neos, o passar fome, n\u00e9, as necessidades mais imediatas, elas s\u00e3o legados de gera\u00e7\u00f5es passadas, n\u00e9? Mas todos os personagens desses escritores contempor\u00e2neos t\u00eam av\u00f3s que passaram fome, n\u00e9, e pais que foram muito necessitados\u201d, explica Evandro.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>La \u201cliteratura negra\u201d brasile\u00f1a contempor\u00e1nea se diferencia de etapas anteriores al desplazar el foco de atenci\u00f3n desde la marginalizaci\u00f3n y las necesidades b\u00e1sicas hacia los dramas existenciales y las cuestiones de disparidad de clase. En su mayor\u00eda, los escritores negros actuales no escriben sobre el hambre o la pobreza extrema; m\u00e1s bien, exploran experiencias de transici\u00f3n social, pertenencia, libertad e identidad. Sus personajes a menudo se enfrentan a dilemas sobre si mantener los v\u00ednculos con sus or\u00edgenes familiares o romper con ellos, reflexionando sobre la ascendencia y la distancia entre sus propias vidas y las realidades que vivieron generaciones anteriores. \u201cSi pensamos en los escritores negros contempor\u00e1neos, sus necesidades no son del tipo asociado a la hambruna. Si observamos la trayectoria \u2014desde Carolina Maria de Jesus, autora del libro \u2018Quarto de despejo\u2019, pasando por Paulo Lins, autor de la novela \u2018Cidade de Deus\u2019, hasta los escritores del siglo XXI, vemos que, en nuestra literatura actual, pasar hambre, necesidades m\u00e1s inmediatas, es un legado de generaciones pasadas, \u00bfverdad? Sin embargo, los personajes creados por estos escritores contempor\u00e1neos tienen abuelos que pasaron hambre y padres que afrontaron grandes privaciones\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>A viol\u00eancia, antes retratada de forma brutal e f\u00edsica, agora aparece tamb\u00e9m como viol\u00eancia simb\u00f3lica: constrangimentos, inadequa\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o social n\u00e3o expl\u00edcita,\u00bbNo meu caso, e no de outros colegas, a ideia de viol\u00eancia simb\u00f3lica come\u00e7ou a se tornar mais presente. \u00c9 aquela que n\u00e3o fere ou elimina fisicamente, mas que constrange e anula o outro. \u00c9 a viol\u00eancia da inadequa\u00e7\u00e3o, de n\u00e3o dominar certos c\u00f3digos culturais ou de sentir-se incomodado sem saber verbalizar a raiz do conflito. Essa abordagem est\u00e1 presente na literatura de v\u00e1rias pessoas. Para mim, o exemplo mais bem acabado \u00e9 &#8216;Marrom e Amarelo&#8217; de Paulo Scott, que me serviu de inspira\u00e7\u00e3o quase plagi\u00e1ria\u00bb, diz o autor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>La violencia, representada anteriormente en t\u00e9rminos f\u00edsicos y brutales, se manifiesta ahora tambi\u00e9n como violencia simb\u00f3lica: sentimientos de incomodidad, sensaci\u00f3n de no encajar y exclusi\u00f3n social impl\u00edcita, \u201cEn mi caso y en el de otros colega, el concepto de violencia simb\u00f3lica cobr\u00f3 mayor relevancia. Es un tipo de violencia que no hiere f\u00edsicamente ni elimina a la persona, sino que provoca verg\u00fcenza y anula al otro. Es la violencia de no encajar, de no dominar ciertos c\u00f3digos culturales o de sentirse inquieto sin lograr articular la ra\u00edz del conflicto. Este enfoque aparece en la obra de diversos autores. Para m\u00ed, el ejemplo m\u00e1s logrado es \u00abMarrom e Amarelo\u00bb, de Paulo Scott, que me sirvi\u00f3 de inspiraci\u00f3n hasta rozar el plagio\u00bb, afirma el autor.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"w-richtext-figure-type-image w-richtext-align-fullwidth aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/razacomica.cl\/sitio\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-03-at-11.03.09-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20976\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Evandro Cruz Silva. <em>O embranquecimento<\/em>. S\u00e3o Paulo: Editora Patu\u00e1, 2024.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Extrato do livro \u201cO Embraquecimento\u201d:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNa sala de aula, as garotas brancas chegavam carregando ecobags com a frase \u2018pele negra, m\u00e1scaras brancas\u2019, ilustra\u00e7\u00f5es de Angela Davis, o rosto de Carlos Marighella. Falavam de suas av\u00f3s negras e parentes imemoriais, inverific\u00e1veis, mas certamente ind\u00edgenas. Gostavam de dan\u00e7ar maracatu, jogar capoeira e demonstrar estar \u00e0 vontade com a minha \u2018viv\u00eancia\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>As pessoas do campus usavam a palavra \u201cviv\u00eancia\u201d quando se referiam a alguma situa\u00e7\u00e3o de racismo, que elas pressupunham fazer parte da minha biografia apenas por eu ser a \u00fanica pessoa preta com quem elas conversavam naquele curso desproporcionalmente branco. Do mais absoluto nada, colegas ao meu lado discursavam por minutos a fio sobre situa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o vivi.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas pessoas pouco faziam para resolver quaisquer quest\u00f5es que elas mesmas comentavam. Em suas cabe\u00e7as, o antirracismo era uma esp\u00e9cie de sistema de difus\u00e3o de not\u00edcias horr\u00edveis, e mais nada. Ao mesmo tempo, eu via ali uma oportunidade. Percebi que era boa em cavar piedade de brancos universit\u00e1rios culpados. Eu aproveitava. Era uma esp\u00e9cie de pequena reserva de mercado que disputava o posto de interlocutora universit\u00e1ria oficial de uma certa experi\u00eancia de sofrimento. Ao final de cada atividade, uma roda se formava ao meu redor para saber mais, tecer elogios e repetir: \u2018Que barra, Mac\u00e1ria, que pena, mas muito forte sua viv\u00eancia&#8217;.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois eu voltava sozinha para casa. O olhar esquisito de algum homem nojento que fica encarando mulher em transporte p\u00fablico, dez minutos de caminhada entre duas esquinas escuras da Zona Leste de S\u00e3o Paulo. Chegava, depositava a mochila em minha cama, olhava, mais uma vez, para a \u2018reden\u00e7\u00e3o de Cam\u2019 e voltava a estudar, at\u00e9 a dosagem de Stagivile 100mg esgotar seu efeito e meu corpo desabar sobre a mesa com cadernos, livros e pinturas do s\u00e9culo XIX\u201d. (p.55-56)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Extracto del libro \u00abO Embraquecimento\u00bb:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEn la sala, las chicas blancas llegaban cargadas de bolsas ecol\u00f3gicas con la frase \u2018piel negra, m\u00e1scaras blancas\u2019, ilustraciones de Angela Davis y el rostro de Carlos Marighella. Hablaban de sus abuelas negras y de parientes inmemoriales, imposibles de verificar, pero sin duda ind\u00edgenas. Les gustaba bailar maracat\u00fa, practicar capoeira y demostrar que se sent\u00edan a gusto con mi \u2018vivencia\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>La gente del campus utilizaba la palabra \u2018vivencia\u2019 cuando se refer\u00eda a alguna situaci\u00f3n de racismo, que ellas daban por sentado que formaba parte de mi biograf\u00eda solo por ser la \u00fanica persona negra con la que hablaban en aquel curso desproporcionadamente blanco. De la nada m\u00e1s absoluta, mis compa\u00f1eros a mi lado disertaban durante minutos y minutos sobre situaciones que yo no hab\u00eda vivido.<\/p>\n\n\n\n<p>Esas personas hac\u00edan muy poco por resolver las cuestiones de las que ellas mismas hablaban. En sus mentes, el antirracismo era una especie de sistema de difusi\u00f3n de noticias horribles, y nada m\u00e1s. Al mismo tiempo, yo ve\u00eda all\u00ed una oportunidad. Me di cuenta de que se me daba bien despertar la compasi\u00f3n de los universitarios blancos con remordimientos. Lo aprovechaba. Era una especie de peque\u00f1o nicho de mercado en el que compet\u00eda por el puesto de portavoz universitaria oficial de una determinada experiencia de sufrimiento. Al final de cada actividad, se formaba un c\u00edrculo a mi alrededor para saber m\u00e1s, lanzarme elogios y repetir: \u2018Qu\u00e9 duro, Mac\u00e1ria, qu\u00e9 pena, pero qu\u00e9 fuerte es tu vivencia\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Despu\u00e9s volv\u00eda sola a casa. La mirada extra\u00f1a de alg\u00fan asqueroso que se queda mirando a las mujeres en el transporte p\u00fablico, diez minutos a pie entre dos esquinas oscuras de la Zona Este de S\u00e3o Paulo. Llegaba, dejaba la mochila en mi cama, miraba, una vez m\u00e1s, la \u2018redenci\u00f3n de Cam\u2019 y volv\u00eda a estudiar, hasta que la dosis de Stagivile de 100 mg agotaba su efecto y mi cuerpo se desplomaba sobre la mesa con cuadernos, libros y pinturas del siglo XIX\u201d. (p.55-56)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>____<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ascens\u00e3o Social e Inadequa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>A literatura negra recente aborda a ascens\u00e3o social como tema central, explorando o desconforto e a desconex\u00e3o dos personagens com suas fam\u00edlias de origem e com o novo meio social. Esse deslocamento gera dramas da classe m\u00e9dia, como d\u00favidas existenciais e busca de pertencimento, mas sem abandonar a experi\u00eancia da viol\u00eancia racial, que persiste mesmo ap\u00f3s a ascens\u00e3o, \u201cA maioria de n\u00f3s vai escrever sobre ascens\u00e3o social, vai escrever especificamente sobre o que \u00e9, e a\u00ed, depende, eu tenho uma certa dificuldade de usar t\u00e3o claramente o conceito de ascens\u00e3o social porque tem que ver se n\u00f3s somos mais ricos mesmo do que as nossas gera\u00e7\u00f5es anteriores. Acho que o jogo ainda est\u00e1 jogado. Mas \u00e9 claramente uma literatura de transi\u00e7\u00e3o de classe \u00e9 uma literatura que vai olhar para a pr\u00f3pria realidade e vai se sentir muito desconectada da realidade familiar.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>La literatura negra reciente aborda la movilidad social como tema central, explorando la incomodidad y la desconexi\u00f3n que sienten ciertos personajes respecto a sus familias de origen y su nuevo entorno social. Este desplazamiento configura un drama de clase media: una existencia mon\u00f3tona en busca de pertenencia, pero que no renuncia a la experiencia de la violencia racial, la cual persiste incluso tras haber ascendido de estatus, \u201cLa mayor\u00eda de nosotros pensamos en la movilidad social, reflexionando espec\u00edficamente sobre lo que conlleva y de qu\u00e9 depende y albergamos una certeza. Resulta dif\u00edcil aplicar con precisi\u00f3n el concepto de movilidad social, pues cabe se\u00f1alar que no somos necesariamente m\u00e1s ricos que las generaciones anteriores. No obstante, se trata claramente de una literatura de transici\u00f3n de clase; una literatura que evoca nuestra propia realidad, pero que se percibe profundamente desconectada de nuestra realidad familiar.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Ou seja, de uma volta \u00e0 \u00c1frica, de uma volta \u00e0s ra\u00edzes africanas, uma volta \u00e0s matrizes religiosas africanas, uma volta para uma vida mais simples, ou at\u00e9 uma literatura que tenta retratar uma vida mais simples, mas cujo autor n\u00e3o participa mais. Ou seja, uma autoria que est\u00e1 longe daquela realidade simples a ser traduzida, digamos assim, para o leitor, para o leitor sudestino, que ainda hoje, n\u00e9, \u00e9 de maioria branca e maioria feminina. Ent\u00e3o a gente est\u00e1 quase sempre escrevendo para mulheres brancas no Brasil\u201d, adiciona Evandro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>En otras palabras, de un retorno a \u00c1frica, de un regreso a las ra\u00edces africanas, a las tradiciones religiosas africanas, a una vida m\u00e1s sencilla o a una literatura que intenta retratar esa vida m\u00e1s simple; una vida en la que el autor ya no participa. El autor es alguien que hace tiempo se alej\u00f3 de la realidad sencilla que busca transmitir al lector, un p\u00fablico objetivo que, dig\u00e1moslo, es predominantemente blanco y femenino. De hecho, en Brasil casi siempre estamos escribiendo para mujeres blancas\u201d, agrega Evandro.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Diversifica\u00e7\u00e3o Editorial e Narrativa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>O aumento de pequenas editoras e a redu\u00e7\u00e3o dos custos de publica\u00e7\u00e3o permitiram a multiplica\u00e7\u00e3o de autoria e narrativas negras, inclusive com tiragens menores e p\u00fablicos mais segmentados. Isso possibilitou o surgimento de obras que fogem do padr\u00e3o esperado de \u201cliteratura da mis\u00e9ria\u201d, ampliando o espa\u00e7o para poetas, cronistas e romancistas negros que abordam temas diversos, inclusive fantasia. Essa diversifica\u00e7\u00e3o editorial contribui para a diversidade de experi\u00eancias e perspectivas na literatura contempor\u00e2nea.\u201cE, dentro desse universo de narrativa, voc\u00ea tem mais espa\u00e7o para escrever coisas que n\u00e3o s\u00e3o as esperadas. Ent\u00e3o aumentou muito o n\u00famero de escritores negros sobre outras coisas, romances, literatura fant\u00e1stica e tudo mais. Quando voc\u00ea ascende para a classe m\u00e9dia, voc\u00ea n\u00e3o abandona o perigo das viol\u00eancias que voc\u00ea sofria s\u00f3 porque voc\u00ea \u00e9 negro. E voc\u00ea ganha nas viol\u00eancias na inadequa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, ent\u00e3o, para al\u00e9m de lidar com o fato de que voc\u00ea n\u00e3o sabe se comportar nos novos lugares, voc\u00ea n\u00e3o tem os usos e costumes, \u2013 voc\u00ea n\u00e3o sabe usar os talheres \u2013. Conseguindo correr o risco permanente de ser baleado pela pol\u00edcia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>El aumento del n\u00famero de peque\u00f1as editoriales y la reducci\u00f3n de los costos de publicaci\u00f3n han propiciado la proliferaci\u00f3n de obras escritas por autores negros y centradas en narrativas negras, aunque sea con tirajes m\u00e1s reducidos y para p\u00fablicos m\u00e1s espec\u00edficos. Esto abre la puerta a obras que rompen con los clich\u00e9s habituales de la llamada \u201cliteratura de la pobreza\u201d, ampliando las posibilidades para que poetas, cronistas y novelistas negros exploren temas diversos, incluida la fantas\u00eda. Dicha diversificaci\u00f3n editorial contribuye a una pluralidad de experiencias y perspectivas en la literatura contempor\u00e1nea,\u201cY, dentro de este universo narrativo, hay m\u00e1s espacio para crear lo inesperado. Esto ha incrementado considerablemente el n\u00famero de escritores negros que se dedican a otros g\u00e9neros, como la novela, la ficci\u00f3n especulativa, entre otros. Aunque la movilidad social no te protege de la violencia dirigida contra ti simplemente por el hecho de ser negro. A esto se suma la violencia de la inadecuaci\u00f3n simb\u00f3lica: el miedo a no saber c\u00f3mo desenvolverse en estos nuevos espacios, a no dominar las normas y costumbres sociales \u2014o incluso a no saber utilizar los cubiertos\u2014, junto con el riesgo permanente de recibir un disparo de la polic\u00eda.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea tem esse duplo tipo de sofrimento, que \u00e9 social. Ele \u00e9 t\u00edpico de economias emergentes, que levam as suas popula\u00e7\u00f5es colonizadas a um patamar superior por meio do consumo, sem resolver suas quest\u00f5es raciais, n\u00e9? \u00c9, ent\u00e3o voc\u00ea tem ao mesmo tempo a inadequa\u00e7\u00e3o e a persist\u00eancia da viol\u00eancia. Eu acho que esse jogo, n\u00e9, entre inadequa\u00e7\u00e3o e persist\u00eancia da viol\u00eancia \u00e9 panorama sint\u00e9tico do que \u00e9 a literatura contempor\u00e2nea brasileira do ponto de vista dos escritores\u201d o escritor explica.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Existe ese doble sufrimiento, de tipo social. Es algo t\u00edpico de las econom\u00edas emergentes que llevan a sus poblaciones anteriormente colonizadas a un estrato social superior a trav\u00e9s del consumo, sin resolver, no obstante, las cuestiones raciales, \u00bfverdad? Se experimenta simult\u00e1neamente una sensaci\u00f3n de no pertenencia y la persistencia de la violencia. Creo que esta din\u00e1mica, esta tensi\u00f3n entre la sensaci\u00f3n de inadecuaci\u00f3n y la persistencia de la violencia, resume el panorama de la literatura brasile\u00f1a contempor\u00e1nea desde la perspectiva de los escritores negros\u201d, explica el escritor.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Ellen Mar\u00eda Vasconcellos (EMV) Bom, Evandro, eu quero perguntar por que voc\u00ea escolheu, no romance \u201cO Embranquecimento\u201d, por que voc\u00ea escolheu uma narradora mulher?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Ellen Mar\u00eda Vasconcellos (EMV): Bueno, Evandro, me gustar\u00eda preguntarte, \u00bfpor qu\u00e9 elegiste una narradora para la novela \u201cO Embranquecimento\u201d?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Evandro Curz (EC):<\/strong> Ah, para ser divertido, n\u00e9? Tem uma coisa, do erro do meu primeiro livro, que \u00e9 erro bem de homem e bobinho, \u00e9 que eu escrevi livro de contos, 10 contos, e que n\u00e3o tinha nenhuma personagem mulher relevante, assim, nem acho que a gente percebe essas coisas porque os livros viram papel. Eu falei: &#8216;Nossa, que bobagem\u00bb. E eu fiquei com p\u00e9 na cabe\u00e7a de que, se eu fosse escrever outra narrativa, eu escreveria pela perspectiva de uma mulher. E, quando eu comecei a escrever esse romance, eu comecei a escrev\u00ea-lo pela primeira cena mesmo, assim, pela cena de abertura, apesar de n\u00e3o ter continuado at\u00e9 o fim. E tamb\u00e9m ajudou a fazer um personagem que n\u00e3o fosse muito espelho do meu ego, sabe.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Ah, simplemente por diversi\u00f3n, \u00bfsabes? Hubo algo en mi primer libro \u2014un error t\u00edpico y tonto de hombre\u2014: escrib\u00ed una colecci\u00f3n de diez relatos sin un solo personaje femenino relevante. Creo que ni siquiera nos damos cuenta de estas cosas en el momento, porque los libros simplemente se convierten en papel. Pens\u00e9: \u00abVaya, qu\u00e9 tonter\u00eda\u00bb. As\u00ed que me propuse mentalmente que, si escrib\u00eda otra obra narrativa, lo har\u00eda desde la perspectiva de una mujer. Y cuando empec\u00e9 a escribir esta novela, comenc\u00e9 directamente por la primera escena \u2014la escena inicial\u2014, aunque no continu\u00e9 de corrido hasta el final. Tambi\u00e9n me ayud\u00f3 a crear un personaje que no fuera simplemente un reflejo de mi propio ego, \u00bfsabes?<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Erick Valenzuela Bello (EVB): Eu queria saber o que aparece quando voc\u00ea utiliza as ferramentas da literatura, como romance, mas quando o lugar de fala muda, n\u00e9? Como quando falamos do dandismo, no caso da popula\u00e7\u00e3o afrodescendente que utiliza as roupas dos brancos, n\u00e9? Aquela met\u00e1fora de que muda, n\u00e9? Acontecem coisas novas, aparecem coisas que n\u00e3o t\u00ednhamos visto antes, tipo uma sorte entre aspas de \u201cantropofagia da literatura\u201d.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Erick Valenzuela Bello (EVB):<\/strong> Quer\u00eda saber qu\u00e9 surge cuando utilizas herramientas literarias como la novela pero el lugar de enunciaci\u00f3n cambia, \u00bfverdad? Como cuando hablamos del dandismo espec\u00edficamente, de poblaciones afrodescendientes que visten prendas asociadas a la gente blanca. Esa met\u00e1fora de la transformaci\u00f3n: surgen cosas nuevas, aparecen elementos que no hab\u00edamos visto antes; es una especie de, entre comillas, \u201cantropofagia literaria\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>EC<\/strong> T\u00e1, eu acho que uma coisa do ponto de vista \u00e9 muito interessante, Erick, porque tem texto do James Baldwin, chamado \u00abSobre o problema do escritor negro\u00bb, se eu n\u00e3o me engano, nossa. Eu esqueci o nome do livro, enfim, tem um conjunto de ensaios, desses ensaios chama o problema do escritor de, que \u00e9 um ensaio que eu gosto muito, porque ele come\u00e7a colocando uma premissa que \u00e9 muito interessante, que \u00e9: a grande quest\u00e3o sobre ser escritor negro \u00e9 que o escritor negro existe enquanto problema liter\u00e1rio, o escritor branco n\u00e3o existe. N\u00e9? Ent\u00e3o, muito se debate sobre o que \u00e9 ser escritor. E isso faz com que voc\u00ea se torne escritor negro, entende? Voc\u00ea \u00e9, ao mesmo tempo, sujeito e objeto do campo liter\u00e1rio. N\u00e9?<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>EC: Me parece muy interesante el aspecto del punto de vista, Erick. Hay un texto de James Baldwin, \u201cEl problema del escritor negro\u201d, si no me equivoco&#8230; creo que olvid\u00e9 el t\u00edtulo del libro. En fin, hay una colecci\u00f3n de ensayos y uno de ellos trata sobre el problema del escritor; es un ensayo que me gusta mucho porque parte de una premisa muy interesante: el gran problema de ser un escritor negro es que el escritor negro existe como un problema literario, mientras que el escritor blanco no. \u00bfVerdad? As\u00ed que existe un gran debate sobre lo que significa ser escritor. Y ese proceso te convierte en un \u201cescritor negro\u201d, \u00bfentiendes? Eres simult\u00e1neamente el sujeto y el objeto del campo literario.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Ou seja, voc\u00ea est\u00e1 produzindo ao mesmo tempo em que voc\u00ea est\u00e1 fazendo parte de debate. Porque, justamente porque voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 sujeito universal, n\u00e9, como \u00e9 o sujeito branco e masculino, a \u00fanica maneira de voc\u00ea participar do debate p\u00fablico \u00e9 se colocando tamb\u00e9m como objeto.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>En otras palabras, produces obra al tiempo que formas parte del debate. Porque precisamente porque no eres el \u00ab\u201dsujeto universal\u201d, como el sujeto blanco y masculino. La \u00fanica manera de participar en el debate p\u00fablico es posicion\u00e1ndote tambi\u00e9n como objeto.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Se a literatura tem como universal \u00abo branco masculino\u00bb, como a literatura afrodescendente se consegue desvincular do fetiche da exotiza\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Si la literatura trata al \u00abhombre blanco\u00bb como el est\u00e1ndar universal, \u00bfc\u00f3mo puede la literatura de personas de afrodesdendientes liberarse del fetichismo de la exotizaci\u00f3n?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>EC:<\/strong> Cara, \u00e9 que \u00e9 jogo complicado, n\u00e9? Porque tem assim, se pensar, por exemplo, no Machado de Assis, quando ele escrevia, como poderia escrever no tempo dele? Ele n\u00e3o podia ser negro; se ele fosse identificado como negro, ele n\u00e3o seria escritor. Por isso que se descobriu recentemente que Machado de Assis era negro, porque isso \u00e9 uma informa\u00e7\u00e3o que funciona no s\u00e9culo XXI e n\u00e3o na virada do s\u00e9culo XIX para o s\u00e9culo XX, n\u00e9? Porque, na virada do s\u00e9culo 19 para o s\u00e9culo XX, n\u00e3o existia essa figura de escritor negro.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>EC:<\/strong> Es un terreno complicado, \u00bfverdad? Porque, si piensas en Machado de Assis, por ejemplo, \u00bfc\u00f3mo pod\u00eda escribir en aquella \u00e9poca? No pod\u00eda ser negro; si se le hubiera identificado como negro, no habr\u00eda sido escritor. Por eso el hecho de que Machado de Assis fuera negro solo sali\u00f3 a la luz recientemente: porque es un dato que cobra sentido en el siglo XXI, no en el paso del siglo XIX al XX, porque, en esa transici\u00f3n entre los siglos XIX y XX, la figura del escritor negro no exist\u00eda.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea escrevia sobre os negros, mas os negros n\u00e3o escreviam, n\u00e9? Hoje em dia voc\u00ea j\u00e1 pode dizer que o Machado de Assis era intelectual negro que observava a sociedade do Rio de Janeiro do s\u00e9culo 19, do s\u00e9culo 20. Certo sentido, acho que os escritores negros brasileiros s\u00e3o pouco herdeiros do Machado de Assis nesse ponto; assim, eles sempre vivem no papel de observado e observador. Ou seja, voc\u00ea tem um ponto de vista que era o que eu tinha falado; para o outro, ele que \u00e9 esse ponto de vista muito \u00fanico, que \u00e9 todo mundo estar um pouco surpreso com a sua presen\u00e7a no papel de intelectualidade.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Se escrib\u00eda sobre las personas negras, pero las personas negras no escrib\u00edan, \u00bfverdad? Hoy en d\u00eda, se puede decir que Machado de Assis fue un intelectual negro que observaba la sociedad de R\u00edo de Janeiro en los siglos XIX y XX. En cierto sentido, creo que los escritores negros brasile\u00f1os son, hasta cierto punto, herederos de Machado de Assis en este aspecto; siempre habitan los roles tanto de observado como de observador. En otras palabras, existe ese punto de vista que mencion\u00e9 antes: esa perspectiva \u00fanica en la que todo el mundo se sorprende un poco por tu presencia en el \u00e1mbito de la intelectualidad.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Mas, ao mesmo tempo, o que voc\u00ea pode fazer \u00e9 jogar com essa expectativa. Acho que jogar com a expectativa, porque, em certo sentido, essa \u00e9 a nossa contribui\u00e7\u00e3o para a arte, n\u00e9? \u00c9 quebrar a expectativa do que \u00e9 o escritor negro. \u00c9 bagun\u00e7ar um pouco esse neg\u00f3cio. Se a gente aderir \u00e0 expectativa, a gente meio que est\u00e1 traindo o presente que a arte nos d\u00e1, que \u00e9 a criatividade.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Pero, al mismo tiempo, lo que puedes hacer es jugar con esa expectativa. Creo que jugar con las expectativas, porque, en cierto modo, esa es nuestra contribuci\u00f3n al arte. Consiste en romper las expectativas sobre lo que es un escritor negro. Se trata de sacudir un poco las cosas. Si simplemente nos ajustamos a las expectativas, estamos traicionando en cierto modo el regalo que nos ofrece el arte: la creatividad.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Tipo, qual \u00e9 o sentido exatamente de escritor negro que obedece \u00e0s expectativas do que \u00e9 ser escritor negro? E a\u00ed, do outro lado, isso voc\u00ea perguntou da exotiza\u00e7\u00e3o, a\u00ed \u00e9 muito mais cotidiano, n\u00e9? \u00c9 muito mais cotidiano e \u00e9 um trabalho de paci\u00eancia, porque n\u00e3o h\u00e1 nada que voc\u00ea possa fazer que v\u00e1 acabar com a exotiza\u00e7\u00e3o que as pessoas t\u00eam do que ir ao negro na cabe\u00e7a delas. E isso \u00e9 uma coisa frequente.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Es decir, \u00bfqu\u00e9 sentido tiene un escritor negro que simplemente obedece a las expectativas sobre lo que significa ser un escritor negro? Y luego, por otro lado, en cuanto a tu pregunta sobre la exotizaci\u00f3n, ese es un asunto mucho m\u00e1s cotidiano, \u00bfno? Es una cuesti\u00f3n del d\u00eda a d\u00eda y requiere paciencia, porque no hay nada que puedas hacer para acabar con la forma en que la gente exotiza a las personas negras en su mente. Y sucede con frecuencia.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"w-richtext-figure-type-image w-richtext-align-fullwidth aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"864\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/razacomica.cl\/sitio\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-03-at-11.03.09-864x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20977\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Modesto Brocos, <em>A reden\u00e7\u00e3o de Cam<\/em>, 1895. \u00d3leo sobre lienzo.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><strong>Extrato do livro \u00abO embranquecimento\u00bb.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>\u201cMuitas vezes me perguntei quem eu seria naquela imagem paradigm\u00e1tica de fam\u00edlia inter-racial brasileira. \u00c0s vezes me identificava com a mulher ao centro, o fruto da mesti\u00e7agem que aparece num destaque quase divino. Uma mulher negra, mas de pele clara, algu\u00e9m capaz de gerar uma vida ainda mais branca, a prova cabal de que o embranquecimento est\u00e1 por vir, que s\u00f3 nos falta mais esfor\u00e7o, mais um parto.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Mas confesso que, outras vezes, n\u00e3o me identificava com nenhum personagem e nas noites em que esperava o guarda da biblioteca me expulsar para fechar todas as portas, imaginava-me sendo Brocos: escolhendo as tintas, observando cores, inventando cen\u00e1rios de mudan\u00e7a radical\u201d. (p. 65)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><strong>Extracto del libro \u00abO embranquecimento\u00bb.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>\u201cMuchas veces me he preguntado qui\u00e9n ser\u00eda yo en esa imagen paradigm\u00e1tica de una familia interracial brasile\u00f1a. A veces me identificaba con la mujer del centro, fruto del mestizaje que aparece con un protagonismo casi divino. Una mujer negra, pero de piel clara, alguien capaz de engendrar una vida a\u00fan m\u00e1s blanca, la prueba fehaciente de que el blanqueamiento est\u00e1 por llegar, de que solo nos falta m\u00e1s esfuerzo, un parto m\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Pero confieso que, otras veces, no me identificaba con ning\u00fan personaje y, en las noches en las que esperaba a que el vigilante de la biblioteca me echara para cerrar todas las puertas, me imaginaba siendo Brocos: eligiendo las tintas, observando los colores, inventando escenarios de cambio radical\u201d. (p. 65)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>EMV:<\/strong> <strong>Bom Evandro, vou te fazer a \u00faltima pergunta. Voc\u00ea colocou na Mac\u00e1ria, que eu achei muito interessante de voc\u00ea trazer, e n\u00e3o problematizar, simplesmente de voc\u00ea colocar como caracter\u00edsticas dela, que \u00e9 a sexualidade, n\u00e9? Ela vive trisal ali, n\u00e9? E eu j\u00e1 estou colocando esse nome, que n\u00e3o \u00e9 colocado no, o que eu acho interessante justamente isso, n\u00e9? N\u00e3o precisa ser nomeado, nomeado fam\u00edlia, m\u00e3e, pai, at\u00e9 o final essa cena \u00e9 muito bonita tamb\u00e9m, n\u00e9? Mas voc\u00ea coloca isso para Mac\u00e1ria, e voc\u00ea coloca tamb\u00e9m, muito sutilmente, o fato de ela estar sempre automedicada, n\u00e9? Ela est\u00e1 o tempo inteiro ali, sob o efeito de algum tipo de rem\u00e9dio, droga, enfim. Ent\u00e3o queria que voc\u00ea falasse um pouquinho sobre essas escolhas, para a personagem, e por qu\u00ea, n\u00e9?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>EMV: Bueno, Evandro, te voy a hacer la \u00faltima pregunta.\u00a0 En el personaje de Mac\u00e1ria, me ha parecido muy interesante que hayas hablado de su sexualidad convertirlo en un problema, simplemente present\u00e1ndolo como una de sus caracter\u00edsticas. Ella vive en un tr\u00edo all\u00ed. Y ya estoy mencionando ese nombre, que no se menciona y eso es precisamente lo que me parece interesante, \u00bfno? No hace falta nombrarlo, ni a la familia, ni a la madre, ni al padre; hasta el final, esa escena tambi\u00e9n es muy bonita. Pero le das eso a Mac\u00e1ria, y tambi\u00e9n incluyes, de forma muy sutil, el hecho de que siempre se automedica, \u00bfno? Est\u00e1 todo el tiempo bajo los efectos de alg\u00fan tipo de medicamento, droga, en fin. As\u00ed que me gustar\u00eda que hablaras un poco sobre esas decisiones para el personaje.\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>EC:<\/strong> Eu considero que o auge da liberdade \u00e9 a capacidade de n\u00e3o ter que se explicar. Eu te digo, olha, a grande coisa do do \u00e9 que as pessoas pedem para voc\u00ea se justificar a todo momento, n\u00e9? E a\u00ed tem uma diferen\u00e7a de g\u00eanero e ra\u00e7a muito importante, assim. As pessoas pedem para as mulheres se explicarem muito mais do que para os homens. Isso \u00e9 uma coisa muito patente, mesmo. Se eu fosse uma mulher, eu estaria sendo atacado agora. A minha DM ia estar cheia de idiotas me amea\u00e7ando, mandando foto minha andando aqui na praia. O que acontece com as minhas colegas intelectuais, que trabalham com o p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>EC: Considero que la m\u00e1xima expresi\u00f3n de la libertad es la capacidad de no tener que dar explicaciones. Te dir\u00e9 una cosa: lo peor de todo esto es la gente te pide que te justifiques constantemente, \u00bfno? Y ah\u00ed hay una diferencia de g\u00e9nero y raza muy importante. A las mujeres se les pide que se expliquen mucho m\u00e1s que a los hombres. Esto es algo muy evidente de verdad. Si yo fuera mujer, ahora mismo me estar\u00edan atacando. Mi bandeja de mensajes directos estar\u00eda llena de idiotas amenaz\u00e1ndome, envi\u00e1ndome fotos m\u00edas paseando por la playa. Es lo que les pasa a mis colegas intelectuales, que trabajan con el p\u00fablico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>E, ent\u00e3o, a primeira coisa da sexualidade, \u00e9 interessante ver algu\u00e9m assumir a sua sexualidade sem explicar, n\u00e9? Pessoas explicando a pr\u00f3pria sexualidade, e a\u00ed tem uma coisa de gera\u00e7\u00e3o, tenho 33 anos. N\u00e3o tem nada mais desinteressante do que algu\u00e9m falando longamente em p\u00fablico sobre as suas decis\u00f5es pessoais e afetivas. Ent\u00e3o isso me parecia uma coisa boa de colocar, n\u00e9, essa sexualidade n\u00e3o explicada. E a segunda coisa era fazer um certo paralelo entre drogadi\u00e7\u00f5es,. Sei l\u00e1, ela \u00e9 filha de alco\u00f3latra, e de alco\u00f3latra ela est\u00e1 sempre topada. Como muitos de n\u00f3s, estamos sempre topando. E, da mesma maneira como, e a\u00ed \u00e9 interessante porque eu coloquei o pai para explicar por que ele \u00e9 alco\u00f3latra, mas ela n\u00e3o sabe muito bem por que que ela \u00e9 dopada. Eu queria que ela n\u00e3o entendesse muito, mas essa seria paralela entre o pai e ela.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Y, bueno, lo primero sobre la sexualidad: \u00bfno es interesante ver a alguien asumir su sexualidad sin dar explicaciones? Ah\u00ed entra en juego una cuesti\u00f3n generacional, yo tengo 33 a\u00f1os. No hay nada m\u00e1s aburrido que alguien hablando largo y tendido en p\u00fablico sobre sus decisiones personales y afectivas. As\u00ed que me pareci\u00f3 algo bueno que incluir, \u00bfno?, esa sexualidad sin explicar. Y lo segundo era establecer cierto paralelismo entre las adicciones. No s\u00e9, ella es hija de un alcoh\u00f3lico, y como hija de un alcoh\u00f3lico, siempre est\u00e1 dopada. Como muchos de nosotros estamos siempre dopados. Aqu\u00ed lo interesante es que yo hice que el padre explicara por qu\u00e9 es alcoh\u00f3lico, pero ella no sabe muy bien por qu\u00e9 est\u00e1 drogada. Quer\u00eda que ella no lo entendiera muy bien, pero ese ser\u00eda el paralelismo entre el padre y ella.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Damos continuidade \u00e0 nossa s\u00e9rie sobre a literatura brasileira contempor\u00e2nea e sua interse\u00e7\u00e3o com a Am\u00e9rica Latina \u2014 uma iniciativa desenvolvida pela Dra. em literatura Ellen Mar\u00eda Vasconcellos e pelo nosso journalista, apenas um rapaz latino-americano, Erick Valenzuela Bello. 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