Eduardo Lacerda, editor de Patuá, «La mayor riqueza de una editorial, no es el dinero ni los libros, es la gente».

A tradução é uma oportunidade criativa para colocar diversos mundos em diálogo, permitindo que se encontrem e se abram a novas possibilidades. Quando aprendemos uma nova língua, nossos sentimentos e reflexões se enriquecem. No entanto, no contexto atual, aprender uma segunda língua — quanto mais uma terceira — é um privilégio, e a maioria das instituições latino-americanas sob o regime imperial a orientam principalmente para o ensino do inglês dos Estados Unidos.
Traducir es una oportunidad creativa para hacer que mundos diversos, dialoguen se encuentren y se abran a nuevas posibilidades. Cuando aprendemos una nueva lengua nuestros sentires y reflexiones se enriquecen. Sin embargo bajo el contexto actual aprender un segundo idioma –ni imaginar un tercer idioma– es un privilegio y la mayoría de las instituciones latinoamericanas bajo el regimen imperial lo orientan principalmente hacia la formación en inglés estadounidense.
Um dos muitos paradoxos que a América Latina enfrenta é que um terço de sua população, ou seja, 220 milhões de habitantes, fala português brasileiro, e o que poderia ser entendido como uma força, uma oportunidade, uma articulação necessária, é, até agora, uma limitação. A produção cultural brasileira é autossustentável, e raramente um evento cultural do resto da América Latina transcende suas fronteiras.
Una de las tantas paradojas que atraviesa a Latinoamérica es que un tercio de su población, es decir, 220 millones de habitantes, habla portugués brasileño, y aquello que podría ser entendido como una potencia, una oportunidad, una articulación necesaria, hasta ahora es un límite. La producción cultural brasileña se surte a sí misma, y en contadas ocasiones hay algún evento cultural latinoamericano que trasciende.
Em uma tentativa de ampliar perspectivas e propor relações alternativas, a Dra. Ellen Maria Vasconcellos, doutora em Literatura da Universidade de São Paulo, juntamente com nosso jornalista iluso falante Ericki Valenzuela Bello @lluvia_del_tropico, apresentam uma série de quatro textos, um por mês, que nos permitem reconhecer a nós mesmos, conectar-nos e transformar palavras em um estuário, um ponto de encontro para as águas.
En un intento por abrir miradas, proponer otras relaciones, es que la Dra. en Letras de la Universidad de São Paulo, Ellen María Vasconcellos, en conjunto con nuestro reportero iluso falante Ericki Valenzuela Bello @lluvia_del_tropico proponen una serie de 4 textos, uno por mes, que nos permita, reconocernos, encontrarnos, hacer que la palabra se vuelva un estuario, un lugar de encuentro de las aguas.
Para começar, esta introdução nos leva à premiada Editora Patuá, que iniciou suas atividades em 2010 com apenas um fundador, Eduardo Lacerda, e hoje é uma das editoras independentes mais importantes do Brasil, lançando cerca de 500 livros por ano.
Para comenzar, con esta aproximación, nos invitan a conocer a la premiada Editora Patuá, que inició el año 2010 solo con un fundador, Eduardo Lacerda, y que actualmente es una de las editoriales independientes más importantes de Brasil, publicando anualmente alrededor de 500 libros.
Para ir além do «Qué puedo saber eu», convidamos você a revisar esta seção que começa com o solstício e as águas de junho.
Para ir más allá del “Qué puedo saber eu” te invitamos a revisar esta sección que comienza con el solsticio y las aguas de junio.
Eduardo Lacerda, editor da Patuá, iniciou sua trajetória na literatura durante o curso de Letras na Universidade de São Paulo USP, motivado pela ausência de veículos literários no ambiente acadêmico. Criou murais e revistas literárias, como a “Metamorfose”, e posteriormente o jornal “Casulo”, ambos voltados à divulgação de novos autores. “Logo no primeiro ano da Universidade de São Paulo (USP), eu achava absurdo aquele local ali com quase 4.000 pessoas circulando, se considerar os alunos de graduação, pós, os funcionários, as pessoas que visitam, não ter uma revista, não ter jornal. «A gente não tinha nada», comenta Eduardo Lacerda.
Eduardo Lacerda, editor de Patuá, inició su trayectoria en la literatura durante sus estudios de Literatura en la Universidad de São Paulo (USP), motivado por la ausencia de publicaciones literarias en el ámbito académico. Creó murales y revistas literarias, como «Metamorfosis» y, posteriormente, el periódico «Casulo», ambos con el objetivo de promover a nuevos autores. «Ya en mi primer año en la Universidad de São Paulo (USP), me parecía absurdo que un lugar con casi 4000 personas, entre estudiantes de grado y posgrado, personal y visitantes, no tuviera ni revista ni periódico. No teníamos nada», comenta Eduardo Lacerda.
O surgimento de tecnologias de impressão sob demanda e o apoio de políticas públicas de incentivo cultural foram determinantes para a fundação da Editora Patuá no ano de 2010, com o primeiro livro publicado em 2011. A editora cresceu rapidamente, passando de 13 títulos no primeiro ano para cerca de 500 títulos anuais atualmente, mantendo o foco em diversidade e inclusão de vozes literárias de diferentes perfis: “Primeiro, a editora envolve muitas coisas, envolve a parte utópica e do sonho, que é publicar literatura, publicar poesia, publicar contos, publicar jovens autores e autoras, mas envolve uma parte de empresa que precisa ter esse equilíbrio, de conseguir pagar os impostos, pagar funcionários, pagar os custos, porque senão o sonho acaba se não for bem equilibrado. Então, em 2010, eu montei a editora; em 2011, nós publicamos o primeiro livro. Durante o ano de 2011, nós lançamos 13 títulos, e hoje a Patuá tem publicado normalmente quinhentos títulos por ano”, adiciona.
La aparición de las tecnologías de impresión bajo demanda y el apoyo de las políticas públicas que incentivan la cultura, fueron factores clave en la fundación de Editora Patuá en el año 2010, con su primer libro publicado en 2011. La editorial creció rápidamente, pasando de 13 títulos en su primer año a aproximadamente 500 títulos anuales en la actualidad, manteniendo su enfoque en la diversidad y la inclusión de voces literarias de diferentes orígenes: “Primero, la publicación implica muchas cosas; implica el aspecto utópico y onírico de publicar literatura, poesía, cuentos y autores jóvenes, pero también implica un aspecto empresarial que necesita tener este equilibrio, para poder pagar impuestos, pagar a los empleados, cubrir los costos, porque de lo contrario el sueño termina si no está bien equilibrado. Así que, en 2010, fundé la editorial; en 2011, publicamos nuestro primer libro. Durante 2011, lanzamos 13 títulos, y hoy Patuá publica regularmente quinientos títulos por año”, agrega.
As três maiores editoras do mercado brasileiro são a Companhia das Letras, o Grupo Editorial Record e a Editora Intrínseca, que utilizam estratégias de produção bastante distintas. A Companhia das Letras foca em vendas em massa, com cerca de 300 lançamentos anuais de títulos variados, enquanto o Grupo Editorial Record aposta na alta rotatividade, publicando 480 títulos por ano com produção gráfica própria e capacidade para 10 mil exemplares. Já a Editora Intrínseca prefere uma escala mais ampla, com apenas 100 livros por ano, concentrando seus esforços no lançamento de projetos grandiosos para dominar as listas de mais vendidos.
Las tres editoriales más grandes del mercado brasileño son Companhia das Letras, Grupo Editorial Record y Editora Intrínseca, que emplean estrategias de producción muy distintas. Companhia das Letras se centra en las ventas masivas, con aproximadamente 300 lanzamientos anuales de títulos variados, mientras que Grupo Editorial Record apuesta por una alta rotación, publicando 480 títulos al año con su propia producción gráfica y una capacidad de 10 000 ejemplares. Editora Intrínseca, por otro lado, prefiere una mayor escala, con solo 100 libros al año, concentrando sus esfuerzos en lanzar grandes proyectos para dominar las listas de los más vendidos.
Dentro desse contexto, a editora Patuá optou por um modelo de venda direta ao público, inicialmente via site próprio, devido à dificuldade de inserção em livrarias tradicionais, que exigem grandes descontos e priorizam títulos de alta vendagem. O lançamento dos livros é realizado em bares, cafés e espaços culturais, promovendo o encontro entre autores e leitores. Em 2015, a editora inaugurou sua própria livraria, bar e café, viabilizada por financiamento coletivo, consolidando um espaço multifuncional para eventos, lançamentos e encontros literários.
En este contexto, la editorial Patuá optó por un modelo de venta directa al público, inicialmente a través de su propia página web, debido a la dificultad de distribuir sus libros en librerías tradicionales, que exigen grandes descuentos y priorizan los títulos más vendidos. Las presentaciones de libros se realizan en bares, cafés y espacios culturales, fomentando el encuentro entre autores y lectores. En 2015, la editorial inauguró su propia librería, bar y cafetería, gracias a una campaña de financiación colectiva, consolidando un espacio multifuncional para eventos, presentaciones y encuentros literarios.
Ellen María Vasconcellos (EMV): Como é que foi, de repente uma editora abriu uma livraria, café e bar, e tudo junto?
Ellen María Vasconcellos (EMV): ¿Cómo sucedió que, de repente, una editorial abriera una librería, una cafetería y un bar, todo junto?
Eduardo Lacerda (EL): “No Brasil a gente ama as livrarias, mas elas são poucas, pouquíssimas livrarias. Eu costumo falar que, mesmo São Paulo não tendo livrarias, as pessoas apontam nossa, mas e a “Travessa” – livraria da Travessa –, e a “Martins Fontes”, a “Livraria da Vila”. Falam se você pensa em São Paulo como os bairros ricos, Pompéia, Perdiz, Pinheiros, Vila Madalena, esses bairros mais ricos, sim, a cidade tem número de livrarias equivalente a público europeu. Mas, quando você se desloca desse centro rico e vai lá para Sapopemba, Grajaú, enfim, Santana e Jabaquara assim classe média, classe média baixa, você só vai encontrar a livraria no shopping, e mesmo assim são aquelas livrarias que vendem mais best-sellers . Não vejo nenhum problema nisso, não é uma crítica, mas é muito limitado”.
Eduardo Lacerda (EL): “En Brasil, nos encantan las librerías, pero hay muy pocas. Suelo decir que, aunque São Paulo no tiene muchas, la gente menciona «Travessa» – Livraria da Travessa –, «Martins Fontes» y «Livraria da Vila». Dicen: «Si piensas en São Paulo como los barrios ricos, Pompéia, Perdiz, Pinheiros, Vila Madalena, esos barrios acomodados, sí, la ciudad tiene un número de librerías equivalente al de un público europeo. Pero, cuando te alejas de ese centro acomodado y vas a Sapopemba, Grajaú, Santana y Jabaquara, la clase media y media baja, solo encontrarás librerías en centros comerciales, e incluso ahí, son las que venden principalmente bestsellers. No le veo ningún problema, no es una crítica, pero es muy limitado».
Então a gente tinha vários desafios. Primeiro, as livrarias, não é que elas não queiram a gente lá, elas querem aquilo que vende. Como o nosso público às vezes, nossos poetas que nós publicamos vão vender 30, 50, 100 exemplares ao longo dos anos, a livraria não tem o interesse em disponibilizar aquele título. Livraria mais independente, ou vamos chamar de literária, nem sempre tem esse interesse. Livrarias cobram 50% sobre o preço de capa do livro, então o livro que hoje a gente vende a 60 reais – 11,65 dólares –, a livraria vai cobrar 30.
Así que tuvimos varios desafíos. Primero, las librerías; no es que no nos quieran allí, sino que quieren lo que se vende. Dado que nuestro público, los poetas que publicamos, a veces venden 30, 50 o 100 ejemplares a lo largo de los años, a las librerías no les interesa tener ese título disponible. Las librerías más independientes, o mejor dicho, las librerías literarias, no siempre tienen ese interés. Las librerías cobran un 50% adicional sobre el precio de venta del libro, así que el libro que hoy vendemos por 60 reales (11,65 dólares), la librería se quedará con 30.
Muitas vezes é o custo de produção do livro, não dá para trabalhar com livrarias. Desde o início da Patuá, eu pensei como alternativa fazer a venda direta no nosso site, numa época em que nem a Amazon existia ainda no Brasil. Em 2011, a Amazon não estava ainda aqui no Brasil.
Frecuentemente, el costo de producción del libro hace imposible trabajar con librerías. Desde el principio de Patuá, consideré la venta directa a través de nuestra página web como una alternativa, en una época en la que Amazon ni siquiera existía en Brasil. En 2011, Amazon ni siquiera estaba presente en Brasil.
E o lançamento é um momento muito gostoso porque as pessoas reúnem os amigos, a família, os colegas de trabalho, outros escritores. Fazer os lançamentos sempre num bar, num café, num espaço que reúne as pessoas. Então eu comecei a procurar espaço pra montar uma livraria, que fosse espaço cultural, bar, café, livraria, espaço pra lançamentos, pra recitais. Em 2015, eu consegui montar, com apoio de 400 autores, autoras e amigos da Patuá, via campanha de financiamento coletivo. Em dezembro do ano 2015, nós tivemos os primeiros lançamentos e agora o espaço está com 10 anos funcionando.
El lanzamiento es un momento muy agradable porque la gente se reúne con amigos, familiares, compañeros de trabajo y otros escritores. Siempre organizamos los lanzamientos en un bar, una cafetería, un espacio que invite a la gente a reunirse. Así que empecé a buscar un espacio para montar una librería que fuera a la vez un lugar cultural, un bar, una cafetería, una librería, un espacio para lanzamientos y recitales. En 2015, conseguí ponerla en marcha, con el apoyo de 400 autores y amigos de Patuá, mediante una campaña de financiamiento colectiva. En diciembre de 2015, tuvimos nuestros primeros lanzamientos, y ahora el espacio lleva funcionando 10 años.
A Patuá atua como incubadora de autores, lançando escritores que posteriormente migram para grandes editoras em busca de maior distribuição e remuneração. Esse movimento é considerado natural e positivo, refletindo o papel da Patuá como plataforma de visibilidade e formação. A editora mantém boas relações com autores que migram, reconhecendo que o crescimento deles é um indicativo da qualidade do trabalho realizado.
Patuá funciona como una incubadora de autores, promoviendo a escritores que posteriormente se incorporan a grandes editoriales en busca de mayor distribución y remuneración. Este movimiento se considera natural y positivo, reflejando el papel de Patuá como plataforma de visibilidad y formación. La editorial mantiene una buena relación con los autores que migran, reconociendo que su crecimiento es un indicador de la calidad de su obra.
EMV: Eu queria te perguntar, Edu, sobre essa coisa de lançar autor e depois esse autor vai pra outra editora. Isso acontece, eu sei que isso acontece. Eu queria que você contasse sobre sua experiência.
EMV: Quería preguntarte, Edu, sobre esto de lanzar a un autor y que luego ese autor se vaya con otra editorial. Sé que sucede. Quería que me contaras tu experiencia.
EL: Bem, eu acho que é natural que os autores queiram editoras maiores, que tenham uma estrutura maior de distribuição. Eu posso citar uma autora recentemente que foi pra uma editora grande, Lilia Guerra. Ela publicou 7 livros com a Patuá, com tiragens pequenas, 100, 150 exemplares, e, quando chega na Todavia – editora –, tem uma venda maior, consequentemente ela tem pagamento de direitos autorais muito maior, que permite ela não, senão viver da venda de livros, pelo menos sei lá, comprei carro, dei entrada num apartamento, é muito gostoso. Eu acho que os autores precisam disso; editoras pequenas não têm. Não é que a gente não tenha essa estrutura; eu acho que, infelizmente, ainda não existe espaço para todo mundo que se publica ter uma vendagem alta aí de 30.000 exemplares.
EL: Bueno, creo que es natural que los autores quieran editoriales más grandes, con una estructura de distribución más amplia. Puedo citar a una autora que recientemente se fue a una gran editorial, Lilia Guerra. Publicó 7 libros con Patuá, con tiradas pequeñas de 100 o 150 ejemplares, y cuando llegó a Todavia —la editorial— tuvo mayores ventas, por lo que recibió regalías mucho más altas, lo que le permitió, si no vivir de las ventas de libros, al menos, no sé, comprar un auto, dar el pie para un departamento, eso es muy agradable. Creo que los autores necesitan eso; las editoriales pequeñas no lo tienen. No es que no tengamos esa estructura; creo que, desafortunadamente, todavía no hay espacio para que todos los que publican tengan ventas altas de 30.000 ejemplares.
Além de autores, a Patuá contribui para o surgimento de novas editoras, compartilhando conhecimento prático sobre produção, gráfica, financiamento coletivo e estratégias de mercado. O objetivo é fortalecer o ecossistema literário, promovendo a multiplicação de iniciativas editoriais independentes e colaborativas.
Además de apoyar a los autores, Patuá contribuye al surgimiento de nuevas editoriales compartiendo conocimientos prácticos sobre producción, impresión, financiamiento colectivo y estrategias de mercado. El objetivo es fortalecer el ecosistema literario, promoviendo la proliferación de iniciativas editoriales independientes y colaborativas.
EMV: Como a editora vira também uma incubadora, não só de bons autores, né, que depois vão para fora, mas também de outras editoras.
EMV: La editorial también se convierte en una incubadora, no solo para buenos autores que luego se van a otra editorial, sino también se convierte en incubadora de nuevas editoriales.
EL: Olha, desde outubro do ano passado, eu acho que a Patuá recebeu mais de 8.000 textos originais. Isso é uma editora pequena, com uma limitação em que eu consigo publicar de 40 a 50 títulos por mês. Então tem uma demanda muito grande de pessoas querendo publicar. É claro que, desses 8.000 originais, vai ter livros ali que ainda precisam passar por uma leitura, por uma escrita, cursos de escrita criativa; o autor ainda precisa se desenvolver mais. Mas vamos colocar assim: 40% ou 30% que a gente recebeu é bom, é legal assim. Então tem muita demanda de escritores. Quantas mais editoras a gente tiver no país ou então a autopublicação, os autores entenderem o mercado também, é bom pra todo o sistema.
EL: Mira, desde octubre del año pasado, creo que Patuá ha recibido más de 8000 textos originales. Esta es una editorial pequeña, con la limitación de publicar entre 40 y 50 títulos al mes. Así que hay una demanda muy alta de personas que quieren publicar. Por supuesto que, de esos 8000 originales, habrá libros que aún necesitan pasar por relecturas, reescrituras y cursos de escritura creativa; el autor aún necesita desarrollarse más. Pero digámoslo así: el 40% o el 30% de lo que recibimos es bueno, está bien. Así que hay mucha demanda de escritores. Cuantas más editoriales tengamos en el país, o cuanta más autoedición, mientras más autores entiendan el mercado, mejor para todo el sistema.
Então eu gosto de ajudar as pessoas, como é algo que dá retorno até financeiro, não alto, mas dá esse retorno. Muitas vezes a gente entende isso na economia criativa, de: «poxa, monta a tua editora, você vai ter retorno», e a partir disso você vai conseguir publicar pessoas e também ganhar dinheiro com isso, que é importante. Então hoje eu tenho aí também mais umas 20 ou 30 editoras pelo país que começaram. Eu não falo que elas começaram aqui. A pessoa que monta uma editora, ou editor, ou a editora, já é uma pessoa que ama livros e entende livros. O que eu posso fazer por essa pessoa é dar os meios que eu não tive quando montei a minha editora. Qual é a gráfica, onde fica, onde pede, para quem pede, como faz, o que é uma pré-venda, o que é financiamento coletivo, são coisas mais estruturais.
Me gusta ayudar a la gente, ya que es algo que incluso proporciona un retorno económico, no enorme, pero sí un retorno. A menudo, en la economía creativa, lo entendemos como: «Oye, crea tu propia editorial, obtendrás ingresos», y de ahí podrás publicar a otros autores y también ganar dinero, lo cual es importante. Hoy en día, también hay entre 20 y 30 editoriales más en todo el país que ya han comenzado. No digo que hayan empezado aquí. La persona que crea una editorial, un editor/a , ya es alguien que ama los libros y los entiende. Lo que puedo hacer por esa persona es brindarle los recursos que yo no tenía cuando empecé mi propia editorial. Con qué imprenta trabajar, dónde está ubicada, dónde hacer pedidos, a quién hacer pedidos, cómo hacerlo, qué es una preventa, qué es el crowdfunding; cuestiones más estructurales.
A participação em feiras literárias e candidaturas a prêmios é limitada pelo alto custo financeiro, o que favorece editoras com maior capital. Enquanto a Feira do Livro no Pacaembu cobra uma taxa de infraestrutura acessível de R$ 1.500 a R$ 5.000 por banca e a Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) exige altos investimentos de R$ 25.000 a R$ 80.000 para o aluguel de casas históricas, o Prêmio Jabuti cobra das editoras taxas individuais por obra que variam de R$ 311 a R$ 467,50 para a inscrição de cada título. O ambiente editorial reproduz desigualdades sociais e simbólicas, em que editoras pequenas enfrentam dificuldades para competir em visibilidade e acesso.
La participación en ferias literarias y las candidaturas a premios se ven limitadas por el alto costo financiero, que favorece a las editoriales con mayor capital. Mientras que la Feria del Libro de Pacaembu cobra una tarifa accesible de infraestructura de R$ 1.500 a R$ 5.000 por puesto y el Festival Literario Internacional de Paraty (FLIP) requiere altas inversiones de R$ 25.000 a R$ 80.000 para el arriendo de espacios patrimoniales, el Premio Jabuti cobra a las editoriales tarifas individuales por obra que oscilan entre R$ 311 y R$ 467,50 por la inscripción de cada título. El entorno editorial reproduce desigualdades sociales y simbólicas, en las que las pequeñas editoriales enfrentan dificultades para competir por visibilidad y acceso.
EMV: Queria te perguntar sobre feiras, mostras. Eu sei que, além dos prêmios, tem todo trabalho, porque, para você se candidatar aos prêmios, você paga bastante, né? A FLIP, acho que está 300, 400 reais para se inscrever no Jabuti.
EMV: Quería preguntarte sobre las ferias y muestras. Sé que, además de los premios, está todo el trabajo que conllevan, porque para ser candidatos hay que pagar bastante, ¿verdad? en la FLIP, o en el premio Jabuti, creo que cuesta 300 o 400 reales inscribirse.
EL: Tem o prêmio Jabuti, Oceanos, enfim, existe Oceanos ainda, já estou meio perdido. Mas também tem essas feiras, né? Tem a feira do Pacaembu, que acho que é a maior de São Paulo, a feira da USP, tem a própria FLIP, né, que é a mistura de feira e 1000 coisas ao mesmo tempo.
EL: Está el Premio Jabuti, el premio Oceanos, bueno, Oceanos todavía existe, ya estoy un poco perdido. Pero también están estas ferias, ¿verdad? Está la feria Pacaembu, que creo que es la más grande de São Paulo, la feria de la USP, está el FLIP, ¿verdad?, que es una mezcla de feria y mil cosas al mismo tiempo.
EMV: Para participar, tem todo um trabalho de financiamento coletivo. Mas eu lembro, de editoras se juntarem para conseguir pagar o aluguel de uma banda. Como é que funciona isso?
EMV: Para que una editorial pequeña articipe, hay que seguir todo un proceso de financiamiento colectivo. Recuerdo que las editoriales se unían para ayudar a pagar el arriendo de una espacio. ¿Cómo funciona eso?
EL: Infelizmente, o meio literário e editorial reproduz as injustiças de toda a sociedade. Então, quem tem mais dinheiro acaba tendo mais espaço. É o capital simbólico aí que vai falar das editoras por que a pessoa gosta de um livro? É claro que tem o gosto de ler, mas existe uma imposição que vem de todo mundo falando que aquilo é bom.
EL: Desafortunadamente, el mundo literario y editorial reproduce las injusticias de toda la sociedad. Así, quien tiene más dinero termina teniendo más espacio. Es el capital simbólico lo que determina por qué a una persona le gusta un libro. Claro que está el placer de leer, pero también existe la imposición de que todo el mundo diga que es bueno.
Ah, ganhou o prêmio, você acha que é bom porque ganhou o prêmio. O Antônio Fagundes – é um dos atores, diretores e produtores mais influentes da televisão, teatro e do cinema brasileiro – falou que acha que é bom; Pedro Bial – jornalista e apresentador da Globo – diz que é bom. Eu estou citando algumas personalidades brasileiras, mas você pensa assim: uma atriz ou um ator, se a dona aparecer com o livro na mão, as pessoas vão começar a comprar aquilo. E muita gente vai começar a achar que é bom, vocês nem são, né, mas acham que é. Então, essas distorções sociais são reproduzidas no meio editorial. Então, eu sempre falo isso, a maior riqueza de uma editora são as pessoas que seguem com ela. Não é dinheiro e não é livro, são as pessoas.
Ah, ganaste el premio, crees que es bueno porque ganó un premio. Antônio Fagundes – uno de los actores, directores y productores más influyentes en lla televisión, el teatro y el cine brasileños–, dijo que es bueno; Pedro Bial – periodista y presentador de Globo – dice que es bueno. Estoy citando a algunas personalidades brasileñas, pero piénsenlo así: si un actor o actriz aparece con un libro en la mano, la gente empezará a comprarlo. Y mucha gente empezará a pensar que es bueno, aunque no lo sea, ¿verdad?, pero lo terminan creyendo. Así que estas distorsiones sociales se reproducen en el mundo editorial. Por eso, siempre digo esto: la mayor riqueza de una editorial es la gente que se mantiene fiel a ella. No es el dinero ni los libros, es la gente.
E os prêmios, também são outra demanda, porque, assim, no caso do Prêmio Oceanos – Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa, são escritos 3.000 livros, né? 3000 títulos. Jurado não dá conta de ler em 2, 3 meses 3.000 livros, mesmo porque, se você ainda falar assim para a pessoa: «Olha, eu vou te pagar 20.000 reais, mas você só vai ler 3.000 livros durante 3, 4 meses, ok?», a pessoa para a vida dela e vai ler, ler, ler, ler, tudo bem. Mas o jurado não ganha nada, ele está fazendo aquilo no tempo livre dele, né? Meia hora por dia que ele pode pegar 1 hora por dia. Quais livros têm mais chances num prêmio?
Y los premios también son otra exigencia, porque, en el caso del Premio Oceanos – el Premio de Literatura en Lengua Portuguesa – se escriben 3.000 libros, ¿verdad? 3.000 títulos. Un jurado no puede leer 3.000 libros en 2 o 3 meses, sobre todo porque, si le dices a alguien: «Mira, te pago 20.000 reales, pero solo leerás 3.000 libros en 3 o 4 meses, ¿de acuerdo?», la persona dejará su vida de lado y leerá, leerá, leerá, leerá, de acuerdo. Pero el jurado no gana nada; lo hace en su tiempo libre, ¿verdad? Media hora o una hora al día que puede dedicarle. ¿Qué libros tienen más posibilidades de ganar un premio?
Aquele que as pessoas já conseguiram ler antes, que é o que está na mídia, que sai da Globo – principal mídia no Brasil –, na Folha – jornal –, quem já ganhou prêmio anterior, o Itamar – Itamar Vieira Junior, reconhecido escritor brasileiro – lançou outro livro, você já tem uma expectativa do livro anterior em relação a esse novo. Então as chances de uma pessoa que publica por uma editora maior já são maiores, por esse capital simbólico também. Isso não quer dizer que todos os prêmios são injustos. A gente ganhou vários e sempre com autores e autoras estreantes, quer dizer, sem esse capital simbólico envolvido. De vez em quando, escuto assim: “Olha, o livro da Patuai eu li com interesse porque eu sei que é da Patuá e a curadoria do Eduardo é legal”.
El tipo de libro que la gente ya ha leído, el que está en los medios, el que apareció en la Globo —el principal medio de comunicación de Brasil—, en el Folha —un periódico—, quien ya ha ganado un premio, Itamar —Itamar Vieira Junior, un reconocido escritor brasileño— ha publicado otro libro, ya existe una expectativa basada en el libro anterior en relación con este nuevo. Así que las posibilidades de que alguien publique con una editorial más grande son mayores, también por este capital simbólico. Esto no significa que todos los premios sean injustos. Hemos ganado varios, y siempre con autores debutantes, es decir, sin este capital simbólico involucrado. De vez en cuando, escucho cosas como: «Mira, leí el libro de Patuá con interés porque sé que es de Patuá y la selección de Eduardo es buena».
A Editora Patuá consolidou-se como uma das maiores referências do mercado independente brasileiro ao receber um amplo reconhecimento em prêmios literários nacionais e internacionais. Já recebeu seis reconhecimentos do Prêmio Jabuti, quatro no Prêmio São Paulo de Literatura, quatro condecorações da Fundação Biblioteca Nacional na categoria de Poesia, além dos prêmios Candango, Guavira, Açorianos, Minuano e AGES. A editora também alcançou projeção internacional com o prêmio cubano Casa de las Américas e figurou frequentemente na lista de semifinalistas do Prêmio Oceanos.
La editorial Patuá se ha consolidado como una de las principales del mercado independiente brasileño, recibiendo un amplio reconocimiento en premios literarios nacionales e internacionales. Ha sido galardonada con seis premios Jabuti, cuatro premios São Paulo Literature, cuatro premios de la Fundación Biblioteca Nacional en la categoría de Poesía, así como los premios Candango, Guavira, Açorianos, Minuano y AGES. La editorial también ha alcanzado reconocimiento internacional con el premio Casa de las Américas de Cuba y ha sido finalista en varias ocasiones del premio Oceanos.
Erick Valenzuela (EV): Queria saber sobre a internacionalização da Patuá. Eu sei que vocês recebem colaborações, e que sempre é em língua portuguesa. Você tem pensado na ideia de se abrir ainda mais com autorias latino-americanas que talvez justamente a dificuldade seja que não falam português, ou que a escrita não é em português. Sei que até agora é o limite dentro da Editora Patuá, mas, talvez, mais para frente poderia mudar. O que vocês estão pensando sobre aquilo?
Erick Valenzuela (EV): Quería preguntarte sobre la internacionalización de Patuá. Sé que reciben colaboraciones, y que siempre son en portugués. ¿Han considerado la idea de incorporar aún más a autores latinoamericanos? Tal vez porque la dificultad radica en no hablar portugués o no escribir en portugués. Sé que ese es el límite de Editora Patuá por ahora, pero tal vez eso podría cambiar en el futuro. ¿Qué opinas al respecto?
EL: Muito boa pergunta. A gente tem uma demanda muito grande de autores e autoras latino-americanos querendo publicar, mas, assim como eu tenho de autores e autoras portugueses ou países africanos de língua portuguesa que querem publicar aqui. O nosso desafio hoje são os autores brasileiros, falando da realidade brasileira.
EL: Es una pregunta muy buena. Tenemos una gran demanda de autores latinoamericanos que desean publicar, pero, al igual que la demanda que tengo de autores de Portugal o de países africanos de habla portuguesa que quieren publicar aquí. Nuestro desafío hoy son los autores brasileños que escriben sobre la realidad brasileña.
A gente lança o livro de uma pessoa, e o primeiro público dela é muito restrito, né? São os amigos, a família, os colegas de trabalho, é público que gira entre 50 e 100 pessoas, quando muito. E eu fico me perguntando: se eu publico um autor argentino, mexicano, moçambicano ou português, aqui no Brasil, qual vai ser o público dessa pessoa? O quanto os brasileiros estão interessados por literatura de qualidade, mas de autor estreante, latino-americano, africano ou português, desconhecido?
Cuando publicamos el libro de alguien, su público inicial es muy limitado, ¿verdad? Son amigos, familiares, compañeros de trabajo; un público de entre 50 y 100 personas como máximo. Y me pregunto: si publico aquí en Brasil a un autor argentino, mexicano, mozambiqueño o portugués, ¿cuál será su público? ¿Qué interés tienen los brasileños en la literatura de calidad de autores noveles, de autores latinoamericanos, africanos o portugueses desconocidos?
E esse público, tudo bem, hoje assim, se eu vendo 20 exemplares, eu poderia falar: «justifica publicar, não ganhei nada, mas também não tive perda». Mas tem muitos autores brasileiros que a gente publica, e eles não conseguem vender 20 exemplares. Então é desafio ainda, é pensar em como, por exemplo, Nathan da Moinhos – Nathan Matos é o fundador e editor-chefe da Editora Moinhos – ele tem trabalho de publicação de autores latino-americanos aqui, mas são sempre autores e autoras que já têm destaque no seu próprio país. No caso da Patuá, muitas vezes é uma pessoa que está começando, totalmente desconhecida, que ninguém viu. Então eu gostaria sim, é uma coisa que eu sempre sonhei, mas que eu não vi formas de viabilizar ainda.
Y sobre el público, bueno, si vendo 20 ejemplares, podría decir: «esto justifica la publicación, no gané dinero, pero tampoco perdí nada». Pero hay muchos autores brasileños que publicamos y no logran vender 20 ejemplares. Así que sigue siendo un reto, se trata de pensar en cómo, por ejemplo, Nathan de Moinhos —Nathan Matos es el fundador y redactor jefe de Editora Moinhos— publica autores latinoamericanos aquí, pero siempre son autores que ya son destacados en sus paises. En nuestro caso, se trata de autores que en su mayoría están empezando, totalmente desconocido, que nadie ha visto. Así que sí, me gustaría, es algo con lo que siempre he soñado, pero aún no he visto la manera de hacerlo viable.
EV: Para finalizar, eu queria saber sobre a Patuá hoje. Quantos livros estão projetados este ano? Quantos autores, quantas cópias? E também sobre a Patuá mesmo, quantas pessoas estão trabalhando agora, quais são as áreas para manter essa estrutura, quantas pessoas precisam neste momento.
EV: Por último, quería saber sobre Patuá hoy, ¿Cuántos libros están previstos para este año? ¿Cuántos autores? ¿Cuántos ejemplares? Y también sobre Patuá en sí, ¿Cuántas personas trabajan en él actualmente? ¿Cuáles son las áreas para mantener esta estructura? ¿Cuántas personas se necesitan en este momento?
EL: Hoje a gente tem aí 12 pessoas trabalhando diretamente, e mais 10 também. Então tem uma pessoa que não é funcionária, mas ela todo dia vem, todo dia não, toda semana vem fazer a empresa aqui da nossa livraria. Então eu conto com uma pessoa que eu tenho que separar aí o salário dela todo mês para pagar. Dentro da livraria tem 4 pessoas trabalhando: o Flávio, que é meu irmão, cuida do bar e da livraria nos eventos; tem uma estagiária em marketing, tem a Sofia, que trabalha na parte administrativa, e o que trabalha de estoque e embalar livros.
EL: Hoy tenemos 12 personas trabajando directamente, y otras 10 de forma complementaria. Luego está una persona que no es trabajadora directa, pero viene todos los días, bueno, todas las semanas, a ayudar en nuestra librería. Así que tengo que reservar su sueldo cada mes para pagarle. Dentro de la librería trabajan 4 personas: Flávio, que es mi hermano, se encarga del bar y de la librería en los eventos; hay una becaria en el área de marketing, está Sofía, que trabaja en administración, y la que trabaja con el stock y el empaquetado de libros.
E aí tem 8 assistentes editoriais, mais 10 capistas trabalhando. A gente publica uma média de 40 a 50 títulos por mês. Dá pra fazer mais? Dá pra fazer até o infinito? Ainda estava conversando isso com a Tricê, minha esposa, hoje. Eu falei assim: «Só que não dou conta de ler mais livros por mês.
Tenemos ocho asistentes editoriales y diez diseñadores de portadas. Publicamos un promedio de 40 a 50 títulos al mes. ¿Es posible publicar más? ¿Es posible hacerlo indefinidamente? Hoy mismo estuve hablando de esto con Tricê, mi esposa. Le dije: «Pero no puedo seguir leyendo más libros al mes».
O principal desafio para as pequenas editoras é equilibrar sustentabilidade financeira, expansão e manutenção de uma gestão humanizada. O crescimento implica maior complexidade administrativa e a necessidade de profissionalização, sem perder o caráter afetivo e colaborativo que caracteriza o projeto. A Patuá segue comprometida com a diversidade, a formação de autores e editoras, e a busca por alternativas para ampliar o acesso e a circulação da literatura independente no Brasil.
El principal reto para las pequeñas editoriales es encontrar el equilibrio entre la sostenibilidad financiera, la expansión y el mantenimiento de un estilo de gestión humanizado. El crecimiento implica una mayor complejidad administrativa y la necesidad de profesionalización, sin perder el carácter afectivo y colaborativo que define el proyecto. Patuá mantiene su compromiso con la diversidad, la formación de autores y editores, y la búsqueda de alternativas para ampliar el acceso y la circulación de la literatura independiente en Brasil.



